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ENGAJAMENTO EXISTÊNCIAL – Luciano Alves Meira

Olá Professor,

Luciano Alves é um homem que teve apesar de uma formação na área Pedagógica, como professor de Línguas,  é um homem que teve uma carreira toda desenvolvida no mundo corporativo por meio de treinamentos para executivos.

Isso faz com que ele transite muito bem entre o mundo escolar e o mundo corporativo, trazendo contribuições muito interessantes, entre ela, o artigo que compartilhamos com você hoje, sobre o  Engajamento Existêncial, onde Luciano Alves  faz uma reflexão sobre o que significa conseguir realmente o engajamento da sua equipe em um trabalho dentro da escola.

Eu ouço muitas vezes gestores reclamando que os professores não estão engajados, que falta algum tipo de motivação e o Luciano faz uma rápida reflexão sobre isso.

Luciano tem um livro publicado chamado ‘’ A Segunda simplicidade’’ que talvez seja também uma boa indicação de leitura.

Aproveite esse conteúdo!

Abraços, Prof. Marco Antonio.

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“Viver é muito perigoso… Porque aprender a viver é que é o viver mesmo… Travessia perigosa, mas é a da vida. Sertão que se alteia e abaixa… O mais difícil não é um ser bom e proceder honesto, dificultoso mesmo, é um saber definido o que quer, e ter o poder de ir até o rabo da palavra” – Guimarães Rosa

 

Engajar-se é o ato de participar de modo voluntário de alguma atividade, projeto ou causa. O termo carrega carga afetiva, pois quem se sente engajado valoriza ou ama aquilo que faz e, justamente por isso, procura executar o seu trabalho com perfeição.

Desde que pesquisas cuidadosas demonstraram a existência de correlação entre engajamento e resultados, líderes dos diversos tipos de organização sonham com o engajamento dos trabalhadores para atingir a excelência produtiva.

Então, em nome desse desejo, o que se vê são diretorias e gerências de recursos humanos, e ao menos parte dos líderes de outras áreas, empenhando-se para promover mais engajamento. Os meios para fazê-lo, acreditam eles, são novas políticas de RH, programas de treinamento, relações mais humanizadas e linhas generosas de benefícios. Há até mesmo algumas empresas que se parecem mais com um parque de diversões ou um clube do que com um escritório, tudo em nome do engajamento.

De modo geral, tirante alguns exageros, considero saudável toda essa mobilização, mas tenho afirmado há tempos que ela não atinge ainda o coração do problema. A questão central gira em torno da instrumentalização humana, ou como escrevi em meu livro A Segunda Simplicidade: “enquanto as pessoas (consciente ou inconscientemente) sentirem-se usadas pelas organizações, nenhum treinamento será verdadeiramente eficaz”. Agora, acrescento: “nenhum índice de engajamento será sustentável”.

Existe, então, algum caminho para a promoção do engajamento verdadeiro, diferente do que se tem tentado até agora? Respondo que sim, mas precisamos, antes de mais nada, questionar a nossa mentalidade atual que é imediatista e instrumental: as lideranças terão de praticar o que o grande terapeuta Viktor Frankl chamava de “intenção paradoxal”. Terão de parar de pensar nos seres humanos como “recursos” ou “meios” para atingir resultados imediatos. Em vez disso, precisarão compreender que o desenvolvimento humano é um fim em si mesmo, e que como seres orgânicos e psíquicos (não mecânicos), precisamos de tempo para o nosso amadurecimento.

Ressalto aqui, para não haver dúvidas, que tratar bem um colaborador é melhor do que tratá-lo mal, mas de um jeito ou de outro, se o desenvolvimento das pessoas é compreendido como um meio para um fim meramente material, em ambos os casos estamos diante de instrumentalização.

Precisamos de uma nova filosofia de engajamento que denomino de Engajamento Existêncial. Precisamos desafiar e orientar as pessoas a encontrarem seu verdadeiro lugar de contribuição no mundo. Ao promover o alinhamento geral das forças do indivíduo com as suas aspirações existenciais mais amplas e profundas, ao encaminhá-lo para o cumprimento de propósitos autotranscendentes, damos início a um processo de ressignificação, liberando aquele tipo de energia que os maiores gênios da arte, da ciência e os inovadores de todos os tempos conheceram, e à qual recorreram para realizar o que parecia impossível.

Somente quem se engaja existencialmente, amando a vida e as suas ilimitadas possibilidades, está pronto para enfrentar qualquer dificuldade com resiliência. O engajamento sustentável no trabalho, dessa forma, aparece como uma consequência natural.

Sabemos que a melhoria de benefícios ou um feedback mais habilidoso não são suficientes para que alguém alcance esse ponto de maturidade. Estamos falando aqui de uma longa jornada de autoconhecimento e crescimento pessoal que demanda, como eu já disse, um novo tipo de olhar antropocêntrico e integral.

Já fui acusado de falta de realismo, mas penso justamente o contrário: os líderes que ignoram esta discussão, tão óbvia quanto profunda, é que estão fora da realidade – da realidade humana.

Luciano Alves Meira – Caminhos Vida Integral

Texto na íntegra:

https://pt.linkedin.com/pulse/engajamento-existencial-luciano-alves-meira