PROFESSOR

Ser Professor exige Vocação!

Parodiando Suassuna, educar, para mim, não é um emprego. Podem me chamar de romântico. Educar, pra mim, é missão, vocação e festa.

Calma, vamos conversar um pouco. Deixe-me explicar:

Vocação vem do latim “vocare”, chamar. Ainda, “vocatio”, chamamento.

Vocação é ouvir aquela “voz interior” que todos nós já ouvimos uma vez na vida. Lembra? Mas poucos são aqueles que a escutam com atenção e foco.

Para alguns, essa não é uma vozinha, é um grito. Aí, é mais fácil; não dá pra disfarçar.

Tem que seguir o chamamento, sob pena de se ficar surdo. Para outros, ela só é escutada quando se deita, à noite, cansado, e ela não nos deixa dormir, pois fica falando o tempo todo. Uma verdadeira tortura pelo dia desperdiçado sem seguir a vocação.

Muitos de nós passam a vida tentando calar essa voz interior. Acham desculpas, criam dificuldades, dizem que é besteira, ou pior, põem a culpa de não poder segui-la nos outros, na vida, nas circunstâncias, na família, sei lá mais onde. Puro “vitimismo”.

Há aqueles que adiam seguir o chamamento. Seguirão quando ficarem melhor de vida (seja lá o que isso quer dizer), quando tiverem tempo, quando forem mais velhos, enfim, depois.

Outros, ainda, dizem que ouvem muitas vozes, muitos chamamentos, e não sabem qual seguir.

Será?

Acho que esses têm muitas habilidades, possibilidades, mas a vozinha é sempre clara. Outros também dizem nunca terem ouvido nada e vão levando.

Será?

Não acho que Deus permitiria alguém nascer surdo de si mesmo (se você é ateu, tenha bom humor, pelo menos).

Mas vou dar um voto de crédito para esses dois últimos, sejam os que ouvem muitas ou os que não ouvem nenhuma voz.

Meu conselho: consultem seu desejo (não vontade) ou um amigo.

Eu explico:

Algumas “filosofias” antigas dizem que o desejo é como um rei. Só um senta no trono por vez. Você pode até trocar de rei, mas é só um que reina por vez.

Consulte seu desejo, aquilo que move você, aquilo que o faz parar, pensar, sonhar e respirar fundo. Aquilo que, de fato, dá tesão (não é uma palavra muito adequada para um texto educacional, mas é didaticamente clara e aceitável).

Agora, para os surdos interiores, Viktor Frankel recomendava perguntar a um amigo: “no que você é bom?”. Bem, eu recomendo, no mínimo, você ler desse autor Em Busca de um Sentido. Grande obra literária.

Resumindo, educar é para quem tem clara a sua vocação. Seja porque é um grito, seja porque você escutou a voz e vai seguir o seu “vocatio”, seja porque tem tesão ou porque seus amigos dizem que você é um professor.

Ser professor não é para todos! É para quem tem vocação, pois exige paixão.

Sei que corro riscos… mas viver não é outra coisa senão correr riscos.

Ser professor exige professar, isto é, declarar uma crença.

Que me perdoem os empregados da educação em sala de aula, mas vocação é fundamental.

Ser professor exige estar exposto o tempo todo. Se você está triste, com problemas, com dor, preocupado etc., esqueça! Sua classe, seus alunos, seus pais, sua escola querem e precisam de você bem. É o mínimo que você pode dar. Que outra profissão exige isso de alguém o tempo todo?

Você só pode fazer xixi no intervalo! Portanto, programe-se! Outros profissionais podem parar, fazer xixi, ou se descontrair.

Seu aluno não pode depender do seu humor.

Ele precisa ser educado e você precisa ser profissional.

Nada disso será possível sem vocação, sem paixão!

Lembro-me, quando jovem, que eu dava 55 aulas semanais (isso durante vários anos – manhã, tarde e noite) e fui num fim de semana com minha mulher, ainda sem filhos, para a praia. Lá, com amigos, fomos tomar chope (ou chopes?) num bar. Acho que ficamos alegres…

Segunda-feira, na escola, vários alunos me disseram:

– Aí, professor! Vi o senhor tomando várias…

Entendi que eu era um professor o tempo todo. Uma figura pública e um exemplo!!!

Não é fácil. Só tendo vocação!

Ser professor exige ter constante consciência da sua missão, do seu papel social. Da sua importância como modelo para seus alunos.

Sou, ou fui, professor de Biologia e Ciências. Eu nunca saí de casa só para ensinar meiose e mitose, organelas citoplasmáticas ou o ciclo reprodutivo haploide e diploide das Pteridófitas, aliás, coisas muito interessantes (?).

Eu não saía de casa só para ensinar Biologia, mas, principalmente, para educar meus alunos.

Aprendi isso com meu mestre, Prof. Cesar da Silva Jr., que me inspirou a ser professor. Grande biólogo, mas, acima de tudo, grande caráter, grande homem.

Ser professor exige vocação.

É uma missão, um grande papel social, que só pode ser exercido se ela existir,  a vocação.

Não é por isso que o salário não deve ser digno, ou a nossa recompensa deva ser uma maçã sobre a cátedra. Somos profissionais e devemos ser reconhecidos como tal!

Mas vai além, somos professores! Professamos uma fé em educar, preparar as pessoas para a vida, ensinar nossos alunos e nos sentirmos realizados vocacionalmente.

E você? Como foi a sua escolha para ser professor ou professora? Divida conosco a sua experiência e nos inspire também.

Grande abraço, meu amigo!

Parabéns por ser um professor, uma professora!